Há duas estratégias de jogo que se consolidam como as mais letais na hora de combate aos adversários. Sei, há inúmeros esquemas, possibilidades, formações, mas no fim, pra variar, sobram só os extremos: ou o contra-ataque ou a posse da bola.
Quem mantém a posse da bola não toma gol. Precisa, para isso, realizar uma boa ocupação dos espaços do campo. Jogar de forma agrupada. Propor o jogo. Participar sempre, mantendo-se no comando, e tocar a bola, ainda que por vezes de forma até mesmo enfadonha, até encontrar a brecha para o suado e merecido gol – fruto de toda a paciência, perseverança, insistência e organização daquele que optou por este método.
E geralmente, do lado oposto de quem joga com a bola no pé, está o que não quer jogar. Ele espera. Marca. Sai jogando com dificuldade, porque na melhor das hipóteses, vai encontrar menos de 45% do efetivo próximo do gol adversário. Em compensação, é pressionado. Não pode piscar por um instante, pois a bola está sempre rondando a sua área. E quando a rouba, necessita de precisão total para buscar a consagração naquela incomum oportunidade.
Pois a posse de bola e a proposição do jogo propiciam uma partida mais, diz-se, bonita. É gente trabalhando, correndo atrás, enchendo os olhos dos assistentes, com momentos que beiram a poesia, tal o encantamento propiciado.
Já o contra-atacante passa a imagem de feio, preguiçoso, até mau-caráter. Se encolhe e sai para caçar o objetivo feito urubu atrás de carniça. Faz só o indispensável e de forma crua, o que não desperta lá muita admiração do torcedor.
Penso que, quando se é jovem, busca-se o 4-3-3 do triângulo alto na meia-cancha. A posse de bola. A proximidade com os companheiros. A evidência na vitrine e a onipresença no seu campo de atuação, fazendo com que narradores e comentaristas dissertem todo o tempo sobre aquele jogo vibrante que serve de exemplo para todos, tal o controle demonstrado.
E para que se faz isso?
Para dentro de alguns anos você poder se tornar um velho safado que espera os demais correrem atrás, especula aqui e ali, e numa bola enfiada por entre a zaga, marca o gol da consagração. E bem feito para os outros. Quem manda ficar correndo para lá e para cá e não estar pronto na hora decisiva? A árvore de natal é sempre muito mais eficiente.
Correr como um condenado, estando em todos os lugares no início da carreira, para um dia obter o direito de ficar na espreita e se dar ao luxo de fazer só o fundamental – e levar todas as glórias. O futebol é a vida.
Metaforeferson