*Grande partida a disputada entre Roma e Internazionale neste sábado. O eterno segundo clube de Paulo Roberto Falcão deu um show de marcação que iniciava já no campo de ataque, com os extremos Vucinic e Menez compensando a deficiência técnica com muita entrega no bloqueio da saída de bola interista. Destaque para o paredão armado pelo treinador Claudio Ranieri no meio-campo, com um trio em noite inspiradíssima: Perrotta, com bom toque refinando a saída de bola; Pizarro, demonstrando técnica apuradíssima e atuando com perfeição nos desarmes, sem cometer faltas; e ainda o capitão De Rossi, com uma vibração contagiante digna de um tiffosi romano em campo – qualidade que, além de ser fundamental na marcação desenvolvida por este excepcional volante, ainda garantiu o primeiro gol da partida ao demonstrar instinto de matador e acreditar que era possível empurrar a bola para o fundo das redes, após (rara) falha do grande arqueiro Júlio César.
A Inter de José Mourinho nem de longe lembrou o time que fez grande jornada contra o Chelsea, a ponto de eliminar os Blues dentro de Stamford Bridge. A começar pelo próprio técnico, que abriu mão do 4-3-3 que deu certo contra o time de Roman Abramovich e trocou este esquema por um 4-4-2 com meia-cancha em losango, trocando o atacante Pandev pelo meia Stankovic. Em quase todas as oportunidades em que foi flagrado pelas câmeras de TV, Mourinho expressava um sorriso debochado, quase desdenhando o clássico que deixou a Roma na vice-liderança da Serie A italiana, apenas um ponto atrás dos ponteiros neriazzuri.
Importante ressaltar a grande jornada dos centroavantes. Se o gol feito por De Rossi na primeira etapa foi digno de um Martín Palermo, o mesmo se pode dizer dos tentos anotados pelos avantes de ofício dos dois times: Diego Milito, pelo lado milanês, empatou a partida enfiando o pé numa bola cruzada na área pelo sempre (no mínimo) eficiente Sneijder. Já o matador teatral Luca Toni estava longe do seu querido recinto (a área) no lance do primeiro gol e cavou a falta que originou a inauguração do placar. Na jogada do segundo tento romano, arranjou uma brecha entre uma dupla de zaga formada por Lúcio e Samuel para dominar um péssimo chute desferido por Taddei e mandar a pelota no canto esquerdo de Júlio César. Toni não tem um controle de bola incrível como Ibrahimovic, nem empilha gols em competições continentais como Raúl. Mas é um dos melhores quando o assunto é resolver peleias encardidas no certame nacional da Terra da Bota. Roma 2×1 e festa com direito a Volta Olímpica e ao luxo do técnico Ranieri de deixar por sabe-se lá que motivo o ídolo-mito-semi-deus local Francesco Totti no banco pelos 85 minutos iniciais.
*Como a vida é versátil e dinâmica, acompanhei ainda neste fim de semana uma partida mais próxima da minha casa e da minha realidade: o jogo entre Palanque e Rosário, pelo Campeonato Municipal de Futebol organizado pela Assoeva. Um jogo mais emocionante do que interessante, já que a correria prevaleceu desde os primeiros minutos. Foi até difícil de identificar a organização tática de cada equipe, mas, em minha avaliação, ambas utilizaram o esquema 4-4-2, com muita liberdade para os responsáveis pela lateral-direita. O Palanque saiu na frente com dois gols feitos a partir de cruzamentos da direita, com ambos os tentos sendo marcados por Cemin – por sinal, escolhido o melhor em campo na transmissão da RVA.
No segundo tempo, porém, o Rosário veio com tudo. Aos 45 segundos, tão bonita quanto a jogada de Polaco, que passou por três pela esquerda, foi o gol de Rodrigo, de letra. O Rosário pressionava, mas num escanteio, aos 9, Rafa, o responsável pelo setor esquerdo da defesa dos passo-bradenses, completou a jornada infeliz ao pegar na orelha da bola na hora de afastar e chutar para trás, atirando contra a própria meta. Dois minutos depois, o habilidoso Maurício matou no peito e chutou com categoria. O 4×1 parecia definir a vitória e a classificação em favor dos verdes, mas eis que a agitação dos técnicos (que fizeram sete substituições em cinco minutos) e um pênalti, aos 24, mudaram a cara do jogo. Aurélio, com paradinha, converteu a penalidade. A correria, marca registrada do jogo, aumentou até que Polaco escorou cruzamento da direita para o fundo das redes palanquenses. Aos 39, foram necessários três escanteios seguidos em favor do Rosário para que Guinha empatasse a partida: 4×4. O Rosário repetia o Liverpool da final da Liga dos Campeões da Uefa de 2005, que marcou três gols em 15 minutos Mas depois de tanta entrega, faltou perna pra gurizada. Balu, que não tinha nada a ver com isso, dominou na entrada da área, chutou em curva e a bola bateu com capricho na trave antes de entrar. Era o nono gol da partida, o sétimo só na segunda etapa, e a confirmação da vitória por 5×4 do Palanque e da classificação desta equipe para a próxima fase.
*E o time da RVA, quem diria, ganhou uma! Azar dos veteranos do Palanque, que tomaram 2×0, na primeira vitória dos comandados de Moacir Eisermann e Betinho Becker em uma eternidade de tempo. Salvaram a cinquetenária pátria rádiodifusora venâncio-airense as feras Maurinho e Formigão – justamente os dois que, na avaliação do prefeito Airton Artus na partida passada, contra os Amigos da Bola, em Vila Arlindo, não poderiam estar em campo simultaneamente ao mandatário municipal. Mas, depois desse resultado, a sorte do prefeito Airton é que o representante de Linha Grão-Pará resolveu passar a jogar na lateral-esquerda. E ainda há este que vos escreve e seu singelo abdômen na disputa por uma vaga neste ataque – com a credencial de ter sido um dos líderes na artilharia da representação alvi-azul-amarela neste mês de março.
Agora é trabalhar firme para manter a invencibilidade que já dura um jogo e um tempo. A lamentar o fato de o time ter atuado desfalcado até este momento da temporada de peças-chave como Coutinho, GP, Fábio, João Paulo…
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